segunda-feira, 24 de março de 2014

COMIDA DE SANTO

Quando vi que o tema sorteado para o meu jantar era "comida de santo" senti um misto de felicidade e medo. De imediato, pensei nas comidas de orixás, muito comuns na cultura baiana e, com duas baianas no grupo, senti a responsabilidade de elaborar um bom cardápio. Fazer e fazer as receitas com precisão, sem inventar nada, claro. E eu não ousaria mudar mesmo, sei lá se o santo ia gostar. Como sou católica, pensamos (eu e William) em também homenagear estes santos. Por fim, um colega nos deu a ideia de fazer comidas com nomes de santos, geralmente receitas surgidas em conventos.

E, assim, montamos o cardápio:
DRINK DE BOAS VINDAS - Chopp São Patrício
ENTRADAS - Acarajé de Iansã e Polenta Nossa Senhora de Achiropita
PRATOS PRINCIPAIS - Xinxin de galinha de Oxum e Kebab São Jorge
SOBREMESAS - Manjar de Iemanjá e Mané pelado dos Santos Juninos (São João, São Pedro e Santo Antônio)
MESA DE CAFÉ: corações de São Valentim e chá Thaio Romano (cigano).

Foi um mês de pesquisas. Para aprender as características dos orixás e saber qual comida é ofertada a cada um deles. Até a bebida aprendemos que o ideal seria cervejas branca e preta e espumante. Fui a uma casa que vende produtos de umbanda e tive uma aula sobre a diferença entre umbanda e candomblé, sobre defumadores de ambiente e sobre o ritual para cozinhar. A cozinha tem de estar bem limpa. É preciso acender uma vela. Nada de botar muito sal na comida. E, o principal, cozinhar com dedicação e amor, agradecendo a deus e aos santos.

Para homenagear os santos católicos, pensamos em algo típico da Turquia, terra de São Jorge. Lembramos, imediatamente, da comilança das festas de São João, São Pedro e Santo Antônio e optamos pelo bolo de mandioca, com coco e queijo (Mané pelado). E, como sou devota de Nossa Senhora, queria também homenageá-la. Nas buscas pela internet, encontrei a super festa de N. S. Achiropita, em São Paulo, com a tradicional polenta a bolonhesa, entre outros quitutes.

As comidas com nome de santo, nós descobrimos um livro fantástico: O Céu na Boca, de Fabiano Dalla de Bonna, Editora Tinta Negra. Decidimos fazer os corações de São Valentin. Queria também ter feito os ossos de São Expedito, mas não deu tempo. O cardápio era grande, como deve ser uma festa de santo, né?

Mas, para garantir o clima completo, o som tinha de colaborar. Músicas variadas que falam de santos, com intérpretes distintos (Seu Jorge, Marisa Monte, Jorge Ben, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila) e algumas músicas de terreiro mesmo. O Hino da Umbanda tinha que tocar.

Desta vez, em vez de velas aromáticas, muito incenso. Escolhi o dos espíritos e Victor me presenteou com o maravilhoso 7 ervas.

Melhor de tudo, casa cheia e energia maravilhosa. Convidados extras se agregando - Giovana e Paulo, bem vindos!

Minha conclusão: o tema sugerido por Dani Martins foi um verdadeiro presente cultural.





No próximo post eu compartilho as receitas.
Mas, disparado, o Xinxin pra mim foi o melhor.