Receitas, novidades, gulodices e farras gastronômicas de uma turma de jornalistas com o pé na cozinha
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Enfim, no ar!!!
Para variar, o Alan, meu digníssimo, me mete em encrencas.
Ele já tinha aprontado uma dessas antes. Estávamos uma vez estudando inglês em Malta, uma ilhazinha fantástica, perdida no meio do Mediterrâneo. E, um dia, ele chega da aula todo animado.
Alan: - Chamei o pessoal (a turma da sala onde ele tinha aula) para almoçar com a gente!
Eu: - Que ótimo! Onde vamos comer?
Alan: - Aqui! Você vai cozinhar!
Eu: - !?
Claro que eu entrei em desespero. Como é que o cabra chama uma cacetada de gente para almoçar assim, sem nem me consultar antes? E o que eu iria servir? E onde diabos eu iria encontrar ingredientes??
Malta me surpreendeu. Apesar de carne bovina e frango serem itens meio raros/caros, o supermercado mais próximo da residência estudantil onde a gente estava morando era bastante bom. Me lembrei de um prato que a minha avó fazia, uma espécie de arroz de carreteiro, mas com frango, e resolvi encarar. Na falta do peito de frango já prontinho, improvisei com um tipo de nuggets que eu encontrei por lá, maiorzão, mais carnudo. Quase um peito inteiro, com uma casquinha mais dura, mais croc croc do que a que a gente está acostumado. No problems! Desfiei os nuggets, levei o arroz para a panela com uns tomates. Umas duas taças de vinho tinto seco, uma boa pimenta, um toquinho de creme, só para arrendondar a coisa toda e voilá! Tava lá o arroz. Batizei de "Arroz de Itabuna", em homenagem à cidade onde fui criada, na Bahia, e na tentativa de dar ao prato uma referência exótica qualquer. O pessoal gostou, suou com a pimenta, "limpou" a panela e todo mundo saiu feliz.
Anos depois, lá vem o Alan de novo.
Alan: - Convidaram a gente para fazer parte de uma confraria! Estamos nessa!
Eu: - Confraria de quê?
Alan: - De gastronomia! Todo mês, um casal cozinha e recebe o resto do pessoal. É um menu inteiro
Eu: - E quem vai cozinhar?
Alan: - Ué... você!!!
Eu: - !?
Claro que eu entrei em desespero. Até gosto de fazer um prato de vez em quando, mas putz! Uma coisa é cozinhar para um bando de estudantes. Outra é receber gente que gosta de cozinhar, sabe cozinhar, tem paladar apurado e coisa e tal. O primeiro jantar da confraria que a gente foi só aumentou meu pânico. A Roseann, nossa anfitriã, preparou um bacalhau inacreditável. A cada prato que ela servia, eu ficava pensando em como é que eu iria fazer jus àquilo tudo...
Meu dia chegou e, entre panelas, eu acabei trocando o nervosismo pela diversão. Me lembrei de pratos que comi em New Orleans e Savannah, quando viajei pelo Sul dos Estados Unidos, e cozinhar me fez voltar na viagem. Cozinhar, enfim, era bom. Por que o stress?
Os jantares se sucederam em uma longa descoberta de sabores. Entre risadas, pratos deliciosos e piadas sem noção (hello, Victor!), as amizades se estreitaram, os copos se encheram, se esvaziaram, se encheram de novo. Nascida entre jornalistas em pleno do julgamento do Mensalão, nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, a confraria se consolidou, virou um programa aguardado no grupo, chamou convidados e torturou amigos no Facebook - porque, claro, a gente não ia deixar de colocar fotos dos pratos na rede, para matar todo mundo de inveja e fome a cada encontro ;-)
O blog acabou acontecendo pela necessidade de colecionar essas receitas, esses momentos e até as piadas bestas (hello, Victor!) Como a turma já se reúne há mais de ano, vamos começar postando do jantar mais recente, na casa da Dani, e apresentar, aos poucos, esse pessoal que, entre uma pauta e outra, se amarra em remexer as panelas.
E, como diria a sábia Anitta, nosso negócio é deixar vocês BA-BAN-DO! :-D
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Eu sempre disse que tinha a boca grande... É para isso!
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